Death Note: Qual era o objetivo da Netflix?

Seja positiva ou negativamente, podemos dizer que Death Note, o mais novo live action da Netflix, chamou muita atenção nas últimas semanas. Mas afinal, o que aconteceu para gerar toda essa popularidade?

A criação de live actions baseados em séries japonesas é um assunto bem delicado. Normalmente rejeitado por seus fãs e aceito pela outra parte do público, o assunto gera um ponto interessante a ser discutido: o objetivo das produtoras. Seria o de fazer uma releitura, no qual o autor foca em produzir um conteúdo mais abrangente para todos os públicos, sem a necessidade de seguir a risca a obra original ou uma adaptação que se atenha os detalhes e chame mais a atenção daqueles que já acompanham a série que foi adaptada?

Sendo assim, nós do Amefuri decidimos analisar ambos pontos de vista e descobrir como o filme realmente se saiu. E hoje não estarei só, mas junto de Jennifer Durval, criadora de conteúdo do Amefuri e fã de Death Note, no qual irá avaliar sobre a adaptação. E como de costume, eu, Katreque, estarei narrando e avaliando a questão da releitura.

Adaptação

Death Note é uma obra que já sofreu várias adaptações de seu mangá, incluindo um anime, quatro adaptações japonesas, um dorama e o atual filme da Netflix.

Por mais que tentemos apagar o anime da cabeça, se torna uma tarefa muito difícil, afinal são personagens que conhecemos e amamos (ou odiamos). E esse é um dos maiores erros do filme. Se o objetivo era mudar a história, seria melhor criar algo totalmente novo, distanciando-se da obra original. Foi covardia colocar elementos do mangá, gerando a impressão que fosse seguir o enredo original, o que não aconteceu.

As mudanças de personalidade nos personagens automaticamente alteram tudo o que a história inicial propunha, pois muito da essência de Death Note é o embate entre as mentes brilhantes de Kira e L. Esse brilhantismo é praticamente excluído do filme, abrindo excessão ao final com o plano que Light executa, mas quem assiste já está tão deslocado nesse momento que perde todo o sentido.

O único ponto que eu tenho como realmente positivo é a dublagem que Willian Dafoe fez para o Ruyk. Ele trouxe algo novo que se encaixou perfeitamente para o personagem, criando um ar cômico, porém com um certo suspense, o que ficou bem interessante.

No final das contas, o filme foi fraco em não apresentar algo novo de verdade, além de decepcionar como uma adaptação também. Infelizmente não foi ainda desta vez que Hollywood conseguiu acertar com suas adaptações de animes. Vamos torcer para que nas próximas aprendam com seus erros e façam melhor.

Releitura

Levando em consideração ser uma releitura, o início do filme é bem interessante. O diretor fez alguns ajustes inteligentes no plot para quem não conhecia a historia pudesse a entender de maneira simples e sem necessidade de toda uma explicação. Mortes ao estilo premonição, alguns alívios cômicos e principalmente a fascinação em que Light começa a criar com todo poder que tem em mãos. Sim, estava tudo o que precisava ali. Uma pena terem corrido com o filme exageradamente.

Ao estilo ninja que anda de Uber por ai, L é apresentado. Com uma história que merece um Especial apenas para ele, busca obcecadamente o assassino junto de seu vício em açúcar. Talvez devido a quantidade de glicose no seu sangue, L consegue chegar a conclusão de quem é Kira rapidamente. E este é o problema que volto a citar: Foi rápido demais!

Toda a capacidade de criar uma narrativa de perseguição entre o certo e o errado, a de montar uma atmosfera onde Light se rende aos poderes de um Deus são desperdiçadas. Tudo é transformado em algo corrido e comprimido. E o filme termina com um grande flashback, algo que não se encaixava com o que foi mostrado até ali.

Podemos perceber que apesar dos diferentes pontos de vista, o filme de Death Note ainda não consegue se destacar. Entretanto, foram essas críticas negativas pontuais que fizeram a Netflix bombar mais ainda nas últimas semanas.

O número de pessoas que assistiram o filme para descobrir se realmente a empresa produziu algo abaixo do esperado ou aqueles que ficaram interessados na história e (re)assistiram o anime na plataforma simplesmente foi nas alturas. Mesmo no erro, a Netflix prova mais uma vez que consegue se manter bem com seu público.

Nos resta agora é esperar, pois já foi anunciado uma possível continuidade. Um novo live action ou a continuação de Death Note, para qual dos dois devemos começar a rezar primeiro?

E não, Kira não significa luz em Russo ou nas variações das línguas Celtas.

E não se esqueça de compartilhar!

Katreque

Renan, mais conhecido como Katreque, é um fã de games e cultura japonesa desde criança. É programador, streamer e diretor do Amefuri Blog.